13 dezembro 2018

A ILUSÃO DA EXPECTATIVA



A expectativa é algo inerente ao ser humano. Todos, independente de quem seja, carregamos internamente expectativas relacionadas às áreas, pessoas e situações da vida. Analisando amplamente, elas podem ser boas ou ruins, tudo dependerá do objetivo fruto do desejo, das circunstâncias, quem está envolvido, etc.

O problema é que, na maioria das vezes, colocamos expectativas maiores do que a situação pode retribuir. Principalmente, quando apoiamos nossas vontades nas pessoas. As expectativas em um relacionamento tendem a ser a maior causa de brigas, discórdias e confusões.

Isto porque, por melhores que sejam as nossas intenções, o outro tem uma forma completamente de pensar, agir, falar, viver... Não é por acaso que as frustrações se manifestam, justamente, dentro dos relacionamentos.

Sabe aquela pessoa que aposta todas as fichas em uma relação e no final acaba se frustrando? Já passou pela situação de receber em sua empresa alguém que tinha o melhor currículo, mas mostrou-se “uma decepção”? Quantos pais investiram demasiadamente tempo e dinheiro no sonho de ver um filho formado em determinada área e ele escolheu outra coisa para fazer da vida?

Estas e muitas outras são expectativas baseadas em desejos pessoais, na maioria dos casos com excelentes intenções, mas que nunca levaram em conta o desejo, a realidade e capacidade do outro em realizar aquilo que você deseja.

Quando colocamos as expectativas em uma pessoa, precisamos estar cientes que nem sempre elas suprirão aquilo que imaginamos. Veja bem, não podemos confundir com não querer. Na maioria das vezes o outro se empenha por fazer o melhor, por entregar o melhor, por ser o melhor. Contudo, a noção de melhor deve respeitar uma série de fatores. Dentre eles podemos destacar: habilidades, visão pessoal, perspectiva, entrega, potencial, etc. Neste caso, são inúmeras as coisas que podem influenciar.

A nossa expectativa não está errada, desde que compreendemos que a única pessoa capaz de cumprir com todos os requisitos impostos pela nossa idealização somos nós mesmos. O outro, por melhor que faça, sempre tenderá a entregar algo baseado em sua própria noção da realidade, ainda que venha fazer o seu melhor.

Vide, por exemplo, uma mãe ao ensinar a filha a cozinhar. A receita é a mesma, o modo de preparo tenderá a ser idêntico, o tempo de preparo é igual. Porém, no final sempre fica algo diferente. É Claro que será possível perceber um traço familiar na receita, mas a comida da vovó nunca é igual a da mamãe.

A expectativa é boa, mas não pode ser a via de regra. Na maioria dos casos ela não passa de uma breve ilusão da nossa mente desejando que o outro realize da maneira como idealizamos. Devemos esperar das pessoas o melhor que ELAS podem entregar, com certeza, mas com o entendimento de que o seu melhor não seja do jeito que queremos.

E o que fazemos então com a expectativa? Deixemos que as pessoas nos surpreendam. Pode ser que seu marido não faça do jeito que você queria, mas é o melhor que ele poderia te entregar só porque te ama. Pode ser que seu filho não faça a faculdade idealizada por você, mas ele escolherá uma profissão e seguirá por ela entregando sempre o melhor trabalho, para no final de tudo honrar a você papai.

A nossa expectativa não pode ser maior do que a realidade daquilo que as pessoas podem nos entregar. Deixemos que elas nos surpreendam com a entrega do seu melhor.



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